terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ciao, Monicelli

A morte do mestre italiano Mario Monicelli é um final cinematográfico da vida do diretor de tantos filmes riquíssimos da cultura e da alma italianas. Esse homem de 95 anos (nascido em 15 de maio de 1915 em Viareggio, na Toscana), que usava o humor e o drama como se fossem dois elementos indissociáveis em comédias como L’Armata Brancaleone, internado num hospital em Roma, tratando um tumor, segundo as informações, em fase terminal, decidiu que não tinha mais nada a fazer ali, ou neste mundo, e se jogou da janela do hospital San Giovanni, ontem, dia 29 de novembro de 2010.

Acho espantoso o fato de que um homem de tamanha vitalidade, autor (como roteirista ou diretor) de dezenas de filmes que enriqueceram a experiência humana neste mal humorado planeta, de repente, injuriado com a humilhação da existência que não lhe reservaria mais nenhum futuro, tenha resolvido dar cabo da vida assim, como se toma uma aspirina.

Claro que ter 95 anos e estar com uma doença terminal sinaliza a qualquer um de nós algo menor (como diriam em países de língua espanhola, menos grande) no suicídio de Monicelli. Afinal, o que poderia esperar da vida um homem nessas condições? Para mim, são exatamente essas condições que tornam seu suicídio misterioso. O turbilhão de lucidez deve ter sido um caminho extraordinário do grande Monicelli, nos instantes que precederam sua morte. “Chega”, deve ter pensado (palavra que ouvi de minha mãe minutos antes de ela partir em 1999). Ou melhor, “basta!”, em italiano.

Ao pensar em Monicelli, a primeira imagem que surge (para mim) é a do maravilhoso L'Armata Brancaleone (1966), conhecido entre nós como O Incrível Exército de Brancaleone. O filme conta uma história maluca que se passa no século 11. De posse de um documento encontrado com um cavaleiro morto, Brancaleone de Norcia (interpretado pelo também grande Vittorio Gassman) é um cavaleiro cômico e farsante que, com um bando de “guerreiros” maltrapilhos, vai atrás do reino de Aurocastro, ao qual supostamente teriam direito pela posse do documento encontrado. Em seu caminho, peste negra e guerreiros temíveis, como os sarracenos. Nesse filme magnífico, é inesquecível Carlo Pisacane no papel de Abacuc, um judeu convertido pela “Armada Brancaleone”. O personagem exemplar resume a fusão de comédia e drama presente na obra de Mario Monicelli.

Gosto muito mais de L'Armata Brancaleone do que de todos os filmes de Monty Python juntos.

Postado originalmente às 14:25
Atualizado às 15:32


Clique aqui para conhecer a filmografia de Mario Monicelli

Veja trecho de O Incrível Exército de Brancaleone:

Elano está de volta ao Santos: “Galera! to voltando pra casa", diz ele no twitter

“Galera! to voltando pra casa !!fechado! santosssss... muito felizzz...grande abraço para todos santistas.”

Com essa frase postada no twitter, o meia Elano anunciou agora há pouco que está de volta ao time da Vila Belmiro. O clube conseguiu convencer o Galatasaray-TUR e comprou o atleta, de 29 anos, por 2,9 milhões de euros (R$ 6,4 milhões), segundo o próprio clube da Turquia. O contrato valerá até 2012.

A notícia é sensacional. Não sei os outros santistas, mas Elano é um dos meus ídolos do Santos neste século. Marcou os dois gols dos títulos brasileiros. Em 2002, fez o segundo contra o Corinthians, aos 43min do segundo tempo, empatando em 2 a 2 e tornando impossível uma reação corintiana (Léo fez o terceiro, aos 47, tento que foi o tiro de misericórdia, não o do título) naquele memorável 3 a 2 em 15 de dezembro de 2002.

Em 2004, o meia marcou o segundo na última partida do campeonato, contra o Vasco, aos 30min do segundo tempo, na vitória de 2 a 1 que deu o bicampeonato ao Alvinegro no estádio Benedito Teixeira, o Teixeirão, em São José do Rio Preto, já na era dos pontos corridos.

A torcida, que começou o ano comemorando o título paulista, festejou a Copa do Brasil em agosto, termina o ano também comemorando. Até abri uma cerveja para comemorar também!

Veja abaixo um vídeo-homenagem a esse grande jogador. Que volta para casa.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

"A culpa é do Corinthians", diz Andrés Sanchez

Foto: Reprodução
Alguns corintianos, que conheço ou não, e até do elenco do Alvinegro, reclamam da postura de São Paulo e Palmeiras na reta final do Brasileiro, por terem supostamente facilitado a vida do Fluminense (4 a 1 e 2 a 1), o que deixou o Tricolor carioca a uma vitória do título. O Flu só precisa vencer o já rebaixado Guarani no Engenhão, domingo, na última rodada, para conquistar seu segundo Nacional, 26 anos depois do campeonato de 1984.

“Não dá para esperar nada desse time [o Palmeiras]", protestou o lateral Alessandro. Mas o próprio presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, tratou de assumir que seu time, e não os rivais paulistas, é o responsável pela situação.

"É normal que o Palmeiras perca para o Fluminense. É normal que o São Paulo perca para o Fluminense. É normal que o Corinthians perca para o Flamengo", disse Sanchez (lembrando o campeonato passado, quando o Corinthians foi acusado de ter facilitado a vida do Flamengo). “Se nós não viermos a ser campeões no domingo, a culpa é só do Corinthians”. O presidente do clube citou dois jogos para exemplificar a “culpa”: o empate com o Ceará em 2 de outubro (2 a 2) e a derrota para o Atlético-GO por 4 a 3 (10 outubro 2010), ambos em pleno Pacaembu.

No período, o time, então comandado por Adilson Batista, ficou sete jogos sem vencer, da 24ª à 30ª rodada. De 21 pontos, ganhou três. Se tivesse apenas vencido o Ceará, o Timão teria dois pontos a mais e precisaria apenas derrotar o Goiás no próximo domingo. Se a equipe houvesse ganhado os dois jogos citados por Sánchez, teria conquistado o título ontem mesmo.

A verdade é que tem gente que já está de saco cheio da fórmula de pontos corridos.

*Atualizado às 22h27

domingo, 28 de novembro de 2010

Viva o Rio de Janeiro!

Para meu amigo e compadre José Arrabal

A imagem de um menino filmado no alto (não lembro se de um prédio, uma laje, um apartamento) com a palavra Paz pintada em branco em seu corpo, pra mim, resume o momento histórico do dia de hoje, 28 de novembro de 2010. A reação da comunidade do Alemão demonstra, com gestos cabais, que o socorro foi bem vindo.

A união de forças estaduais e federais (PM, Bope, Marinha, Exército e Aeronáutica) revela que a operação de “resgate do território” foi muito bem planejada. O crime achou que o terrorismo praticado contra a população nas últimas duas semanas ficaria por isso mesmo. Deu-se mal.


A operação desencadeada pelo governo do Rio de Janeiro apoiado pelo governo federal foi republicana, e por isso mesmo histórica. Nesse sentido, não tem precedentes. É uma ação definitiva.

Não houve o derramamento de sangue que muitos temíamos.

Claro que, sabemos bem, a questão não está resolvida.

Claro que só com educação e cultura as pessoas (nos morros do Rio ou nas favelas de São Paulo, Salvador, Recife etc) vão ser cidadãs de fato, vão prescindir do crime. Mas esse horizonte, que deve ser perseguido com obstinação, dará frutos no longo prazo. O que acontece hoje é que o Estado não podia recuar. As tropas não foram enviadas por um governo fascista. Foram enviadas pelo governo Lula.


Claro que, como disse Felipe num comentário em post abaixo, "a miséria é uma fábrica de traficantes". Mas Dilma Rousseff ganhou a eleição porque um dos maiores frutos dos 8 anos de Lula foi justamente a sensível diminuição da miséria. A vitória de Dilma foi a vitória da cidadania, que se reflete no que está acontecendo no Rio, algo que há 20 anos muitos de nós, oprimidos pela desesperança, não imaginávamos que fosse possível.

O trabalho é de longo prazo. A consolidação da cidadania está em marcha. É preciso entender que vontade política ganha batalhas. É preciso que as pessoas entendam o que está acontecendo.

Uma batalha foi ganha. A guerra ainda não.

Viva o povo do Rio de Janeiro!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O Rio de Janeiro sob ataque

"Rio de ladeiras
Civilização encruzilhada

Cada ribanceira é uma nação"
(Chico Buarque)

Parte enorme do Rio de Janeiro, situada na zona Norte, vive hoje uma conflagração. A verdade incontestável é que os criminosos estão muito incomodados com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), porque perdem espaço e dinheiro.

Fotos: Reprodução/ Globo News

São muitas as inquietações. Há a parcela dos cidadãos que assinam o princípio malufista de que “bandido bom é bandido morto”. O que não vou discutir aqui porque não debato com a direita que não dialoga e vive entre a ignorância e a estupidez.

Mas há também quem resiste a admitir que no Rio, hoje, trava-se uma luta entre o Estado e o crime: os militantes mais radicais (e tolos) dos “direitos humanos”. Li no twitter uma frase interessante:

(citações literais, sem revisão)

@jazzmanbrasil: Viva o verdadeiro efeito anestésico do Tropa de Elite! Hoje, qualquer um que fale em direito humanos é chamado de idiota.

A ironia da frase acima soa entre intelectualizada e irreal, embora, provavelmente, seja de fato sincera. Mas há pessoas que dentro da realidade também exprimem, por exemplo, ainda no twitter, um sentimento muito mais sincero, porque não teórico:

@ReginnaSampaio Minha prima ligou não tem como sair do Alemão.

Quer dizer, é uma cidadã cuja prima (o povo) está encurralada. Ela está na realidade. Ou... tem ligação direta com ela, e não fala apenas de si mesma, confortavelmente embaixo do ar condicionado na redação ou no lar.


Podem dizer que o cara é um babaca, que Tropa de Elite é “anestésico” (e é), mas o que o ex-capitão do Bope e roteirista dos dois filmes, Rodrigo Pimentel, disse a Terra Magazine (aqui na íntegra) é para se pensar: “Eu sempre fui um crítico contundente da operação em favela. Eu sempre achei uma ação desnecessária e ineficaz, que não tinha o menor motivo. Porque você entrava na favela e saía. E aquilo não tinha fim nunca. Aí surge a UPP que entra na favela e permanece. De fato, funciona. Mas essa política de enfrentamento momentânea é para estabelecer e consolidar o processo de pacificação”, afirmou Rodrigo. “Não tem jeito. É um caminho sem volta. É agora ou nunca. O Estado não pode ser refém, não pode se ajoelhar.”

Como diz Wálter Maierovitch em brilhante texto (na íntegra aqui) em seu blog: “A confederação criminal fluminense emprega método terrorista, mas não se confunde com as organizações terroristas, cuja ideologia não é o lucro”.


O que quero dizer com tudo isso? Quero dizer que, na minha humilde opinião, o Estado tem que acabar com essas células terroristas, custe o que custar. Seja nos morros ou favelas, seja nas coberturas de Copacabana.

É triste dizer isso, mas a repressão é necessária, e militarmente bem executada, ao mesmo tempo em que as UPPs têm de continuar. É preciso limpar a terra, plantar e depois colher bons frutos. Nenhuma grande nação conquistou a soberania sem derramar sangue.

PS (atualizado às 02h54):
Sobre o tema, importante o post do Conversa AfiadaControle do Complexo do Alemão é exemplo de integração policial

Santos está no grupo 5 e Internacional no 6 da Libertadores 2011

A Conmebol sorteou ontem os grupos da Copa Libertadores 2011. Os únicos times brasileiros em chaves definidas são o Santos e o Internacional, já que o Campeonato Brasileiro ainda não terminou e, portanto, não há classificação final. Peixe e Inter são também os dois únicos cabeças-de-chave do Brasil na competição. O Santos comemorou não precisar fazer nenhum jogo na altitude e não ter adversário em país distante.

Os grupos, com várias indefinições, são esses:

Grupo 1: Peru 1, Paraguai 1, Colômbia 2 e San Luis-MEX
Grupo 2: Junior-COL, Bolívia 2, Peru 2 e Repescagem 6 (Goiás ou quarto colocado do Brasileiro x Liverpool-URU)
Grupo 3: Argentinos Juniors-ARG, Nacional-URU, campeão brasileiro e América-MEX
Grupo 4: Caracas-VEN, Chile 1, Argentina 3 e Repescagem 4 (Chile 3 x Bolívia 3)
Grupo 5: Santos, Chile 2, Deportivo Táchira-VEN e Repescagem 3 (Paraguai 3 x Deportivo Petare-VEN)
Grupo 6: Internacional, Jorge Wilstermann-BOL, Equador 2 e Repescagem 2 (Jaguares-MEX x Peru 3)
Grupo 7: Campeão do Torneio Clausura da Argentina, Paraguai 2, vice-campeão do Brasileiro e Repescagem 1 (terceiro colocado do Brasileiro x Colombia 3)
Grupo 8: Equador 1, Peñarol-URU, Argentina 4 e Repescagem 5 (Argentina 5 x Equador 3)

Elano vem?

O presidente do Santos, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, continua prometendo um time forte para disputar o título. Não há nomes certos, apenas especulações, entre as quais a mais comentada nos bastidores do clube é possível volta do meia Elano, um dos ídolos do Peixe no time bicampeão brasileiro de 2002 e 2004. Atualmente, ele joga no Galatasaray da Turquia.

“Temos algumas contratações de impacto que devem ser fechadas nos próximos 15 ou 20 dias”, disse Luis Álvaro. Aguardemos, pois, santistas.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O significado da entrevista de Lula aos blogueiros

A entrevista concedida pelo presidente Lula a blogueiros independentes na manhã desta quarta-feira tem importância mais simbólica do que pelo que ele disse ou deixou de dizer. O presidente falou de maneira descontraída aos blogueiros Renato Rovai, Leandro Fortes, Altino Machado, Rodrigo Vianna, Eduardo Guimarães, José Augusto, Altamiro Borges, Tulio Vianna, Pierre Lucena e Sr. Cloaca (entrevista está linkada no final deste post).

Só o fato de Lula conceder a coletiva aos blogueiros (ao mesmo tempo em que alguns portais da grande mídia também transmitiram o evento) mostra o reconhecimento da importância dos blogs – claro que não apenas os representados hoje em Brasília – pelo presidente e, mais do que isso, sinaliza que o Planalto não ignora que o essencial é a internet continuar livre, ao contrário do que querem os defensores do AI-5 digital, projeto do senador Eduardo Azeredo (PSDB) que pode colocar rédeas na liberdade da rede mundial no Brasil. Sinaliza também para a premência de levar adiante as prioridades tiradas da I Conferência Nacional de Comunicação, há um ano (veja aqui), fundamentalmente a regulamentação dos artigos 220 a 223 da Constituição de 1988, o que nunca foi feito. A luta política em torno da reforma do sistema de comunicação do Brasil será árdua.

Uma passagem da entrevista dá a dimensão do porquê os “coronéis” das comunicações têm pavor da liberdade proporcionada pela internet. Disse Lula: “Ela [mídia] é desmentida em tempo real, tem que se explicar. Acho isso extraordinário (...) Acho que vamos trabalhar para democratizar a mídia eletrônica e vamos trabalhar para que o leitor brasileiro fique cada vez mais sabido, inteligente, eu diria. Controlador da sua própria vontade, e isso está acontecendo no Brasil agora”.

Desde a eleição de 2006 a internet vem sendo decisiva e, naquela ocasião, subestimada pelos simpatizantes da direita raivosa ou cordial, como já notara então Luiz Carlos Azenha num post, em seu blog, intitulado “Poder da internet no Brasil foi desconhecido por analistas políticos” (não tenho o link para esse texto, do blog antigo do Azenha, embora tenha o texto que salvei em Word). Nele, escrevia o autor do blog Vi o Mundo há quatro anos:

Sejam benvindos a um país mais complexo, em que o poder dos coronéis locais, montados em suas concessões de emissoras de rádio e tevê, se esgarça nas franjas.
Se você não sabe o que é uma lan house, nem foi a Parelheiros, não se sinta um idiota - no sentido grego da palavra.
Lan house é internet de pobre.
Um real por hora.
Está lá, em todo bairro pobre de toda cidade brasileira.”

Nestas eleições de 2010, blogosfera e twitter serviram como ferramenta decisiva da militância, permitindo o desmentido dos boatos em tempo real, por exemplo, e foi [a internet] fundamental à eleição de Dilma Rousseff, apesar de não haver estudos ainda sobre em que medida ela possa ter sido mais ou menos decisiva.

Quase no final da entrevista, o presidente lembrou o já célebre episódio da bolinha de papel (lembre clicando aqui), dizendo ter ficado estarrecido (termo não foi esse) com a tentativa de enganar a população por parte da campanha tucana. “O Serra deve desculpas ao povo”, disse Lula.

Atualizado às 14h51

Veja a entrevista (observação: nos primeiros dois minutos, aproximadamente, não há som. Tenha paciência que ele vem. Mas maximize o som no ícone correspondente, embaixo, à esquerda da tela do vídeo)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O show de Paul McCartney em São Paulo: post para um consolo impossível

Só posso falar sobre o show de Paul McCartney como um sonho que não tive, pois não estava lá. E, para citar John Lennon, “the dream is over” para mim, já que esta terá sido com certeza a última passagem de um dos Beatles pelo Brasil; no caso, um dos dois grandes da banda de Liverpool.

Que, ao lado dos Rolling Stones, foi a banda mais importante que tocou no planeta (pelo menos tive o privilégio de assistir aos dois shows dos Stones em São Paulo, as turnês Voodoo Lounge (janeiro 1995, no Pacaembu) e Bridges To Babylon (abril de 1998, no Ibirapuera), esta última com o prêmio de ver Bob Dylan cantando "Like a Rolling Stone" com Mick Jagger e companhia. Mas, apesar de gostar das duas maravilhosas bandas, não consigo deixar de amar mais os Beatles.

Enfim, voltando ao beatle Paul McCartney, vão abaixo quatro passagens do show do Morumbi em 21 de novembro de 2010. Que posto aqui no meu blog como um consolo impossível.

All my Loving



Let it be



Venus and mars

Live and let die

domingo, 21 de novembro de 2010

Fluminense de Muricy põe a mão na taça

Fred comemora 3° gol/Reprodução
Com os resultados da 36ª rodada, faltando duas para o final do campeonato, o Fluminense decididamente se coloca como favorito ao título brasileiro, com uma mão na taça. O Timão ficou no 1 a 1 com o Vitória e, como se esperava, não encontrou facilidades no Barradão, onde bater o Rubro-negro é muito difícil. Tanto que nenhum time de São Paulo conseguiu essa proeza neste Brasileiro. Ronaldo sair ainda no primeiro tempo com uma contusão muscular não foi um bom presságio aos místicos corintianos na Bahia de Nosso Senhor.

Em Barueri, o São Paulo realizou o desejo de sua torcida (que vibrou nos gols do Fluminense) e perdeu por 4 a 1, terminando o jogo com nove cabras em campo (Xandão e Richarlyson foram expulsos no segundo tempo). Conca, com dois gols também na segunda etapa, demonstrou que pode ser mesmo o fator decisivo, o craque do campeonato. O argentino que comanda o meio de campo tricolor tem uma marca impressionante: disputou todos os 36 duelos de seu time no campeonato. E Fred, que fez um gol contra o São Paulo, volta como decisivo justamente na retal final. O Flu está com a faca e o queijo na mão.

Veja os gols de São Paulo 1 x 4 Fluminense em Barueri:


Rodadas finais
Há quem ache o seguinte: Muricy Ramalho não deveria escalar Washington nas duas últimas partidas. Superstição? Para mim faz sentido: eu sempre disse que Washington é um perdedor. É fato: por onde passou, perdeu: Atlético-PR (Brasileiro de 2004), Fluminense (Libertadores de 2008), São Paulo (duas últimas temporadas, quando o Tricolor paulista não ganhou nada).


Com 65 pontos contra 64 do Corinthians, faltando duas rodadas (veja abaixo), será muito difícil que o Tricolor das Laranjeiras deixe de vencer o Palmeiras no penúltimo round, em Barueri**. Por incrível que pareça, o Brasileirão mais disputado dos últimos anos pode até acabar na semana que vem. Basta que o Flu bata o sossegado Palmeiras, que só pensa na Sul-Americana, e o Corinthians não vença o sempre traiçoeiro Vasco da Gama no Pacaembu (a propósito, vou escrever um post durante essa semana para justificar o adjetivo traiçoeiro que apliquei ao Vasco. Histórias).

Se confirmar o título, Muricy Ramalho levantará seu quarto troféu de campeão brasileiro. Ficará a um do recordista Vanderlei Luxemburgo. Muricy foi tricampeão nacional pelo São Paulo (2006, 2007 e 2008). Vanderlei foi campeão com Palmeiras (1993 e 1994), Corinthians (1998), Cruzeiro (2003) e Santos (2004).


Jogos restantes:
1°. Fluminense (65 pts): Palmeiras (f), Guarani (c) 
2°. Corinthians (64 pts): Vasco (c) e Goiás (f)
3°. Cruzeiro (63 pts): Flamengo (f) e Palmeiras (c)


PS(atualizado à 00h59): Com a vitória do Cruzeiro sobre o Vasco da Gama por 3 a 1, a Raposa permanece na briga. Mas depende de uma combinação de tropeços de Corinthians e Fluminense ao mesmo tempo, o que parece improvável.


**A partida Palmeiras x Fluminense no próximo domingo será no estádio da Fonte Luminosa, em Araraquara, e não em Barueri. Atualizado às 13h14

Marilena Chaui fala sobre as eleições de 2010: o autoritarismo da imprensa no Brasil

A professora Marilena Chaui, mestra de muitos de nós, deu uma entrevista importante ao site Carta Maior, sobre as eleições. O foco foi o papel da imprensa. Diz Marilena:  
“[nestas eleições] o cerco foi mais intenso, assumindo tons de guerra, mais do que mera polarização de opiniões políticas. Mas não foi surpresa: se considerarmos que 92% da população aprovam o governo Lula como ótimo e bom, 4% o consideram regular, restam 4% de desaprovação a qual está concentrada nos meios de comunicação. São as empresas e seus empregados que representam esses 4% e são eles quem têm o poder de fogo para a guerra”.

Ela falou também sobre a sucessão de táticas frustradas (que, somadas, configuram uma estratégia fracassada) que norteou a campanha tucana de José Serra:

“o preconceito começou com a guerrilheira, não deu certo; passou, então, para a administradora sem experiência política, não deu certo; passou, então, para a afilhada de Lula, não deu certo; desembestou na fúria anti-aborto, e não deu certo. E não deu certo porque a população dispõe dos fatos concretos resultantes das políticas do governo Lula”.

Perguntada sobre se concorda com a afirmação de que "a mídia brasileira é uma das mais autoritárias do mundo", a filósofa responde:  “Se deixarmos de lado o caso óbvio das ditaduras e considerarmos apenas as repúblicas democráticas, concordo”.

A entrevista de Marilena Chaui a Carta Maior está neste link.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Pensamento para sexta-feira [11] - Contemplar o Mundo


Ciência
(Felipe Cabañas da Silva)

I

Absoluto como a noite
dou a máxima força às palavras

Ou pretendo ser absoluto, total,
impregnar-me nas coisas,
fazer como um vírus

Amo a ciência
Sou homem sincero
e amo a ciência

Amo as flores, como
um simples camponês
amo as flores e as aves
e os dilúvios mornos do verão

Amo as flores embora
ame a ciência: arredia,
inviolável, hermética, de aço

E mesmo na ciência
das flores tem aço:
assombroso aço, frio aço,
honesto aço

II

Na noite tímida e sombria
penso no aço frio e na morte,
mas quando vejo os olhos
resplandecerem no ar negro
e quando estou perto da boca
úmida e redonda, e rósea
(do vermelho desbotado da esperança)
e nas mãos miúdas com
os finos dedos tocando a minha pele
já não penso mais em ciência,
já não amo mais a dor e a ciência

Penso nas flores,
sou simples como um camponês
e aceito a morte, a morte
como a mãe de tudo

Sou forte como aço
Estou nu e as coisas nuas
e o campo aberto para o dia
 

Domingo, 19 de setembro de 2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Gol de Neymar no Paulistão concorre ao prêmio de mais bonito do ano pela FIFA

O golaço de Neymar na fase de classificação do Campeonato Paulista contra o Santo André (2 a 1 para o Santos, em 4 de fevereiro de 2010) está na lista dos dez gols mais bonitos do ano, segundo a FIFA. O Prêmio Puskás da entidade máxima do futebol foi criado em homenagem a Ferenc Puskás, capitão e astro da seleção húngara na década de 1950.

Qualquer torcedor pode entrar no site e votar em seu gol preferido. Disputam com o de Neymar gols bonitos de outros nove jogadores: Lionel Messi (Argentina), Hamit Altintop (Turquia), Matty Burrows (Irlanda do Norte), Linus Hallenius (Suécia), Samir Nasri (França), Arjen Robben (Holanda), Siphiwe Tshabalala (África do Sul), Giovanni van Bronckhorst (Holanda) e Kumi Yokoyama (Japão). A FIFA classifica os atletas por país, e não por clube. No ano passado, o vencedor foi Cristiano Ronaldo (Portugal).

Clique aqui para ver os dez gols mais bonitos e para votar (no gol de Neymar, claro)

O gol do jovem craque santista está aqui:



*Atualizado às 14h38

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Brasileiro não acredita no Judiciário, mostra pesquisa do Ipea. Por que será?

A Justiça brasileira é pessimamente avaliada pelo conjunto da sociedade brasileira. Não é difícil saber por quê. O caso dos espancadores da avenida Paulista (ver post abaixo) e a parcialidade favorável a magnatas acusados de graves crimes, como Daniel Dantas, entre incontáveis outros exemplos, além dos polpudos salários de juízes pagos para fazer o que não fazem, explicam a pesquisa divulgada hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Segundo o levantamento, em escala de 0 a 10, a nota média dada pelos cidadãos à Justiça foi de 4,55. Pior, ao avaliar o item Honestidade dos integrantes do Judiciário e punição dos que se envolvem em casos de corrupção, numa escala de 0 a 4, a média ficou em 1,17. Ao responder como avaliam a imparcialidade, tratando ricos e pobres, pretos e brancos, homens e mulheres, enfim, todos de maneira igual, os pesquisados pelo Ipea deram em média 1,18 (também em escala de 0 a 4).

Quanto ao item acima (imparcialidade), lembro-me do emblemático caso da doméstica Angélica Aparecida de Souza Teodoro, de 18 anos e então mãe de uma criança de dois. Em 2006, ela ficou presa por quatro meses no cadeião de Pinheiros, em São Paulo, por furtar um pote de manteiga cujo valor era R$ 3,20. Vários pedidos de liberdade foram negados pelo Judiciário, inclusive um no Tribunal de Justiça-SP, até o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder liminar para que ela fosse posta em liberdade, no fim de março de 2006.

*A pesquisa do Ipea, em arquivo PDF, está neste link.

Leia também:
Um caso jurídico digno de Freud

*Atualizado às 18h47

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Truculência do povo das sombras [1] – avenida Paulista

O povo das sombras não se cansa de atacar. Como se sabe, na manhã de domingo quatro menores  de idade e Jonathan Lauton Domingues, de 19 anos, todos de classe média, foram presos em flagrante depois de, segundo a polícia, espancar quatro jovens em três momentos diferentes, gratuitamente, feito pitbulls enfurecidos, na madrugada do mesmo dia. Ou melhor, por um motivo: as vítimas serem homossexuais, ainda de acordo com a polícia.

Eles foram soltos após audiência na Vara da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça (TJ) no domingo, 15. Os quatro adolescentes (três de 16 anos e um de 17) vão responder por ato infracional. Já Jonathan responderá, em liberdade, pelos crimes de lesão corporal, roubo e formação de quadrilha. Segundo o TJ, ele não tem antecedentes criminais e possui residência fixa.

Veja reportagem da Rede Record:



O pai de Jonathan, Eliezer Domingues Lima, deu a seguinte justificativa para a suposta atitude do filho: "É um menino muito bonito e foi assediado por homossexuais. Ele pediu para parar, eles não pararam. Aí, virou briga".

Se algum conselho adiantasse, eu diria a esse pai que procure tratamento para seu “menino bonito”. Vamos, hipoteticamente, admitir que o rapaz tenha mesmo sido paquerado. E daí? Seria motivo para reagir como um cão raivoso? Sim, se o agressor tiver problemas psicológicos, como enormes dúvidas inconscientes sobre sua própria masculinidade.

Apesar da covardia homicida, dos danos físicos e morais, a lei protege os menores e a Justiça brasileira se encarrega de socorrer o maior de idade. A mãe de um dos suspeitos da agressão, que não quis se identificar, disse que os jovens “saíram para se divertir, para pegar as menininhas na balada”. E só.

Segundo o Estadão, o promotor da Infância e Juventude Thales Cezar de Oliveira saiu-se com essa pérola: “...deixar alguém internado por briga, em um país em que não se consegue levar um assaltante para a cadeia...”

Mayara Petruso
O ataque aos nordestinos, emblematizado pela estudante Mayara Petruso e decorrente da vitória de Dilma Rousseff, não é isolado e nem casual. Não estou dizendo que tucanos são responsáveis por quaisquer atos de violência, mas parte da sociedade brasileira manifesta uma intolerância inaceitável.

O povo das sombras não pára de mostrar sua face. E a Justiça, a sua benevolência para com quem pode pagar bons e caros advogados.

PS: Durante a campanha eleitoral, escrevi alguns posts, na série intitulada “Episódios da truculência tucana”, que perdeu o sentido após as eleições. Vou continuar a idéia, sem definir uma periodicidade, com outra série similar, “Truculência do povo das sombras”.

O próximo será o episódio de uma amiga que, depois de quase ser atropelada por um carro em marcha à ré, ainda foi xingada e ameaçada de agressão por um homem emocionalmente descontrolado, como se ela fosse culpada de estar atrás do automóvel.

domingo, 14 de novembro de 2010

Corinthians é líder, mas empate do Flu recoloca Cruzeiro na briga (caixinha de surpresas)

Este post era para não existir, porque eu ia apenas atualizar a publicação abaixo (ou neste link) com umas poucas linhas. Mas o tropeço do Fluminense no Engenhão diante do virtualmente rebaixado Goiás, com o sofrido 1 a 1 (uma bela zebra), além de manter o Corinthians na liderança (63 pontos contra 62 do Flu), recoloca o Cruzeiro na briga pelo título, ao final da 35ª rodada. Ou seja, o Timão deu um duro golpe na Raposa, mas não eliminou o time mineiro da briga pela taça, apesar do descontrole quase histérico de Cuca e Zé Perrela após a derrota no Pacaembu, ontem.

É surpreendente, mas Corinthians 1 x 0 Cruzeiro, ao contrário do que parecia, acabou não sendo fatal para a Raposa, graças ao inesperado empate do Tricolor das Laranjeiras com o Goiás, no Rio.

Veja os gols de Fluminense 1 x 1 Goiás:



Faltando três rodadas, Corinthians, Fluminense e Cruzeiro continuam na briga. Na próxima rodada, a 36ª (fim de semana que vem), o líder Corinthians, um ponto à frente do Flu, duela com o Vitória em Salvador, partida difícil, visto que o Rubro-negro baiano está apenas uma posição acima da zona de rebaixamento. Não é fácil bater o Vitória no Barradão quando os baianos precisam do resultado. Enquanto isso, o Fluminense joga com o São Paulo, em Barueri (jogo polêmico), e o Cruzeiro recebe o Vasco da Gama em Minas. A esquadra cruzmaltina não tem mais nada a ganhar ou perder no campeonato.

São três rodadas e nove pontos em disputa. A esta altura, não dá para dizer quem é favorito entre os três times que disputam o título.

Confira os confrontos dos líderes na reta final:

Corinthians (63 ptos - 35 jogos): Vitória (f), Vasco (c) e Goiás (f)
Fluminense (62 ptos - 35 jogos): São Paulo (f), Palmeiras (f), Guarani (c)
Cruzeiro (60 ptos - 35 jogos): Vasco (c), Flamengo (f) e Palmeiras (c)

Corinthians tira o Cruzeiro da luta pelo título. Tirando a Fiel, todo o país torce para o Fluminense

O Corinthians virtualmente eliminou um concorrente direto ao título brasileiro e dorme como líder do campeonato. Faltam três rodadas para o Alvinegro e quatro para o Fluminense, que deve vencer o Goiás no Engenhão e reassumir a ponta neste domingo. Se der a lógica, o time das Laranjeiras terminará a 35ª rodada com 64 pontos, um a mais que o rival paulista. Pelo que ouço de amigos e leio por aí, não é exagero dizer que o Timão tem contra si toda a torcida brasileira.

Não vi Corinthians 1 x 0 Cruzeiro. Toda a polêmica em torno do pênalti sobre Ronaldo no fim do segundo tempo me pareceu exagerada. Foi pênalti. Tolo, desnecessário, mas pênalti. O atacante mata a bola no peito no meio da grande área, toma uma entrada pelas costas claramente faltosa do tal do Gil... Fazer o quê?

Veja o pênalti e o gol de Ronaldo:



O que Zezé Perrela, presidente do Cruzeiro, e principalmente o técnico Cuca enfatizam é que esse não foi o único erro. Cuca acusa três impedimentos assinalados erradamente do ataque da Raposa que redundariam em gol ainda no primeiro tempo. Como não vi o jogo nem esses lances, não posso dizer.

Posso dizer que eu não daria nenhum dos dois pênaltis reclamados pelo Cruzeiro a seu favor, ambos muito parecidos, em divididas de Thiago Ribeiro com o goleiro Júlio César (esses eu vi nos melhores momentos). Nas duas jogadas, o atacante foi para o lado errado, adiantou demais a bola e preferiu apostar mais no pênalti do que na jogada. Nas duas divididas, não me pareceu que o goleiro corintiano foi para fazer falta.

De qualquer maneira, seguem comentários que ouvi no meio da polêmica:

Do meia Roger, do Cruzeiro: “Em 2005 eu estava aqui [no Corinthians] e não reclamei. Agora estou do outro lado e não posso reclamar também”. O jogador, articulado, uma exceção no meio dos semi-analfabetos que habitam o futebol, ironizou, dizendo que “a justiça pode vir de outras maneiras”. Não economizou nas palavras: “Tomara que São Paulo e Palmeiras vejam isso e possam ajudar o Fluminense”. Emendou falando do campeonato de 2009, insinuando que o Corinthians teria entregado o jogo para o Flamengo na penúltima rodada (em Campinas, 2 a 0 para o Flamengo, que acabou sendo campeão na rodada seguinte, a última). “O Ronaldo jogou 5 minutos naquele jogo”, disse Roger.

Do comentarista Mauro Cezar Pereira, da ESPN Brasil: “É assustador o número de pênaltis marcados a favor do Corinthians no Pacaembu neste campeonato”. Eu até concordo. Mas, para Mauro Cezar, o pênalti em Ronaldo não existiu. É um comentarista bastante europeizado. Para ele, quase nunca existe pênalti. É um dos comentaristas que mais atacaram o santista Neymar este ano, imputando sistematicamente ao jovem craque santista a pecha de cai-cai. Nem quando é  pênalti o ranzinza acha que é. É um chato.

Já Juca Kfouri, em seu blog, diz que, no primeiro turno, e com o mesmo juiz deste sábado, Sandro Meira Ricci, o Cruzeiro bateu o Corinthians em Minas por 1 a 0 “em jogo em que a arbitragem não deu um pênalti claro de Henrique em Bruno César”.

Próximos adversários dos líderes*:

1° Corinthians (63 ptos - 35 jogos): Vitória (f), Vasco (c) e Goiás (f)
2° Fluminense (61 ptos - 34 jogos): Goiás (c), São Paulo (f), Palmeiras (f), Guarani (c)
3° Cruzeiro (60 ptos - 35 jogos): Vasco (c), Flamengo (f) e Palmeiras (c)

*Atualizado à 01h49

Goleada do Galo

O jogo a que assisti, digno de nota, foi Atlético-MG 4 x 1 Flamengo. Muito bom, disputado, pegado, jogado porém com lealdade, e com o coração. O Flamengo jogou melhor nos primeiros 15 minutos, mas depois o Galo tomou conta.

Com a fanática torcida empurrando e atuação espetacular de Obina (que marcou o primeiro, um golaço, e deu passe primoroso para Renan Oliveira marcar o segundo), o Atlético de Dorival Júnior deu uma sova no time de Vanderlei Luxemburgo e fugiu consideravelmente da zona do rebaixamento. O Galo está no 14° posto, com 39 pontos, uma posição e um ponto atrás do próprio Flamengo.

Amanhã atualizarei o blog com poucas palavras, após Fluminense x Goiás no Engenhão.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Monteiro Lobato, pasmem, é a nova vítima do politicamente correto

A polêmica sobre o parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) – que recomenda censurar o livro Caçadas de Pedrinho nas escolas públicas – é emblemática. Porque trata-se de uma visão autoritária. E é (uma tentativa de) censura, sim. A obra de Monteiro Lobato não é apenas a literatura que encantou gerações de precoces amantes das letras, da poesia, da imaginação. É também história, se assim o quiserem. Publicada em 1933, a obra do genial criador do Sítio do Picapau Amarelo não poderia retratar uma sociedade do século XXI, poderia?

Sou um privilegiado, por ter podido ler Monteiro Lobato. Acho muito mais importante trabalhar para que muito mais crianças leiam do que perseguir algumas páginas de um escritor fundamental para a formação de muitos de nós. Diz-se que Buenos Aires tem mais livrarias do que há no Brasil inteiro. Este nosso país precisa de educação, de alfabetizar milhões de pessoas que no futuro possam comprar e ler livros, precisa que os 700 mil jovens carentes que fazem faculdade graças ao ProUni sejam muitos milhares mais, e não adotar medidazinhas supostamente anti-racistas censurando Monteiro Lobato. O que é isso, minha gente? Que burrice!

Como disse minha amiga Camila Claro (uma das entrevistadoras do livro Escritores, ótima coletânea de entrevistas), por e-mail, dia desses: “Espero que os projetos sociais possam fazer mais do que estimular o consumo e embalar a economia, o fim da miséria inclui colocar livros, e não só TVs e motos, na casa das pessoas”.

Tempos atrás li um libelo bem-humorado, uma crônica do Mouzar Benedito na revista Fórum, sobre essa (para mim) insuportável onda do politicamente correto (em todos os setores: política, artes, futebol, jornalismo...). A certa altura, Mouzar escreve que, do jeito que as coisas vão, daqui a pouco não poderemos falar Neguinho da Beija-Flor. Vamos ter que dizer Afrodescendentezinho da Beija-Flor. Daqui a pouco Lewis Carrol será proibido sob a acusação de pedofilia. Ou a Bíblia terá de ser censurada por conter visões da mulher dignas de aiatolás. Ou Nietzsche será relegado às galés sob a acusação de nazismo. Ou... Onde vamos parar?

O Estado tem o direito de, por exemplo, não adotar o livro em questão nas escolas. Ponto. O que por si só já seria censura, o que é grave. Mas o Estado não tem o Direito (com D maiúsculo) de meter o seu carimbo, o seu dedão, numa obra literária, rotulando ou acusando-a do que quer que seja. Muito menos em Monteiro Lobato. Ademais, Tia Anastácia é uma criatura adorável! Na minha mente infantil, eu sempre gostei mais dela do que da dona Benta. Curioso, porque dona Benta se parece com minha avó paterna, italiana, enquanto Anastácia lembra minha avó materna, baiana. Tenho olhos verdes, beiços grossos, não sou racista, adoro Monteiro Lobato e acho que a ignorância tem cura, mas a burrice não.

De minha parte, espero que o ministro Fernando Haddad (que é um homem sensato) não volte atrás em sua posição, anunciada há uma semana, de não homologar o parecer do CNE contrário à distribuição, para escolas públicas, do livro Caçadas de Pedrinho.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Um caso jurídico digno de Freud

Deu no Estadão. O juiz Edilson Rumbelsperger Rodrigues, de Sete Lagoas (MG), foi colocado “em disponibilidade pelo Conselho Nacional de Justiça por 9 votos a 6”. Em outras palavras, afastado do cargo, em julgamento do CNJ, por ao menos dois anos.

Ao julgar um processo que envolvia a Lei Maria da Penha em 2007, o magistrado (sic) viu um “conjunto de regras diabólicas". Segundo a matéria do Estadão, o homem investido do poder de julgar escreveu ainda na decisão:  “Ora, a desgraça humana começou no Éden: por causa da mulher, todos nós sabemos, mas também em virtude da ingenuidade, da tolice e da fragilidade emocional do homem (...) O mundo é masculino! A ideia que temos de Deus é masculina! Jesus foi homem!".

Enfim, o juiz dizia que “para não se ver eventualmente envolvido nas armadilhas dessa lei absurda, o homem terá de se manter tolo, mole, no sentido de se ver na contingência de ter de ceder facilmente às pressões".

No julgamento, foi questionada inclusive a sanidade mental do insigne magistrado mineiro.

Ao contrário do caso Mayara Petruso (entre outros absurdos*), que está sendo processada por dizer que “nordestino não é gente”, o do juiz Rodrigues, também revelador, chega porém a ser cômico.  O homem seria um excelente objeto de estudo para Freud.

Cabe observar que o Conselho Nacional de Justiça, cuja criação foi tão combatida por lobbies do Judiciário e operadores jurídicos com interesses ameaçados, é um órgão importante para coibir os abusos do Judiciário.

A matéria do Estadão está aqui.

*Atualizado às 22h46

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Santos aposta em Adilson Batista para comandar time na Libertadores

Depois da crise que derrubou Dorival Júnior – para mim um treinador de futuro, mas inexperiente para a grandeza do Santos – e da interinidade de Marcelo Martelotte, o clube anunciou agora há pouco no twitter que Adilson Batista, ex-Cruzeiro e Corinthians, comandará o Santos na Libertadores de 2011.

Washington Alves/VIPCOMM


Não tenho uma opinião formada sobre Batista ainda. Ele tem nove anos na estrada como técnico (começou em 2001 no Mogi Mirim). Passou por América-RN, Avaí-SC, Paraná-PR, Grêmio-RS, Paysandu-PA, Sport-PE, Figueirense-SC, Júbilo Iwata-JAP, Cruzeiro-MG e Corinthians-SP.

Tem poucas conquistas: bicampeão mineiro (2008 e 2009) e vice da Libertadores (2009), tudo pelo Cruzeiro.

Em sua curta e recente passagem pelo Corinthians, sua campanha foi ruim: em 17 jogos, sete vitórias, quatro empates e seis derrotas. Justiça seja feita, o Timão teve muitos desfalques em sua “gestão” (Dentinho, Ronaldo, Jorge Henrique, Chicão, para citar os principais, se machucaram). Portanto, é irrelevante dizer que ele assumiu quando a equipe era líder do Brasileiro e a deixou em terceiro.

Por outro lado, não gosto do estilo neurastênico de Adilson, que não para de berrar como um ensandecido à beira do campo. Mas o Santos contratou o cara que estava no mercado. É uma aposta.

PS* (Atualizado às 15h15): Ao citar acima as conquistas de Adilson Batista como treinador, só considerei as de alguma relevância. Porque, com todo o respeito, vencer o Campeonato Catarinense (pelo Figueirense em 2006) e o Potiguar (em 2002 pelo América-RN), sinceramente, não dá pra considerar.

Brasileirão: título entre Flu, Corinthians e Cruzeiro. Vacilou, dançou

Foto: Wallace Teixeira/ Photocamera

A 34ª rodada do Brasileiro manteve tudo como estava. A disputa pelo título continua aberta entre Fluminense (61 pontos), Corinthians (60) e Cruzeiro (60). Como os três times têm o mesmo número de vitórias (17), o saldo de gols pode ser decisivo na reta final. O Alvinegro paulista e o Tricolor carioca levam vantagem nesse critério de desempate, ambos com saldo de 21, contra apenas 12 da Raposa.

A vitória contra o São Paulo deu moral ao time de Tite, além de manter um longo tabu*: o Corinthians não perde para o São Paulo há três anos e oito meses. A última vitória tricolor foi em 11 de fevereiro de 2007, (3 a 1), pelo Paulistão.

O jogo de domingo não foi excepcional, mas uma bela partida, ganha na minha opinião pelo excelente meio de campo com Ralf, Jucilei e Elias, ao mesmo tempo pegador e criativo. A defesa alvinegra, muito bem postada, deu poucas chances ao ataque são-paulino e, quando preciso, o ótimo goleiro Júlio César fez a sua parte. O zagueiro Miranda falhou feio no primeiro gol, de Elias: chegou bem na jogada mas nada fez: deixou o adversário chutar. No segundo, a zaga são-paulina dormiu no ponto e Dentinho aproveitou o vacilo: 2 a 0 (veja os gols abaixo).

Desfecho imprevisível
Nas últimas quatro rodadas, tudo pode acontecer. O líder Fluminense de Muricy Ramalho terá pela frente: Goiás (c), São Paulo (f), Palmeiras (f) e Guarani (c). O Corinthians pega Cruzeiro (c), Vitória (f), Vasco (c) e Goiás (f). E o Cruzeiro enfrenta Corinthians (f), Vasco (c), Flamengo (f) e Palmeiras (c).

Na próxima rodada, Corinthians x Cruzeiro, sábado, no Pacaembu, será decisivo. O Alvinegro é favorito, pelo quem vem jogando nos últimos jogos, retomando um futebol próximo ao do tempo de Mano Menezes. Para melhorar, Dentinho voltou jogando bem. Mas a Raposa não está disputando o título à toa, embora, hoje, entre as três equipes que disputam a taça, seja o que oscile mais. É uma partida imprevisível. O jogo é fundamental para as pretensões de ambos os times porque, no domingo, o Fluminense recebe o Goiás (penúltimo colocado na competição) e tem obrigação de vencer.

Fred e Deco devem reforçar o Tricolor das Laranjeiras nos últimos jogos. Com a provável vitória do Flu no domingo, o derrotado entre Timão e Raposa deve começar a dar adeus ao título. Um empate manterá ambos na briga, mas será pior para o time mineiro.

*Atualizado às 16h01

Veja os gols de São Paulo 0 x 2 Corinthians:

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Enquanto a gente comemora, projetos reacionários avançam no Congresso Nacional

Leitor, preste atenção aos dois itens abaixo e depois diga se é teoria da conspiração, mania de perseguição ou paranóia. Os fatos se desenvolvem no Congresso Nacional.

1) A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou na quarta-feira, 3, Proposta de Emenda Constitucional (PEC 32/06) que retira do vice-presidente a condição de suceder o presidente da República em caso de vacância do cargo.  Segundo a Agência Brasil, o texto prevê que, em caso de impeachment, morte, doença grave ou outro fato que caracterize a vacância na Presidência da República nos primeiros dois anos de mandato, novas eleições serão convocadas em até 90 dias.

Se faltarem menos de dois anos para o fim do mandato, as novas eleições devem ser convocadas em 30 dias. Para o caso de vacância com menos de 15 meses para acabar o governo, o novo presidente será escolhido por meio de eleição indireta pelo Congresso Nacional.

Sabem de quem é o projeto? Trata-se de substitutivo do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) a projeto original de Arthur Virgílio (PSDB-AM), aquele cabra-macho que disse que ia bater no presidente Lula, levou uma surra nas urnas e sequer foi eleito em 2010.

Resumindo: na prática, elimina-se a figura do vice-presidente (que só poderia assumir como interino) e tudo o que politicamente envolve sua escolha; instaura-se eleição indireta (sim, leitor, indireta) para o caso acima especificado; e abre-se uma brecha para o golpismo.

É mole ou quer mais?

2) De Luiz Carvalho - CUT Nacional - Na calada da noite, avança projeto de deputado do PSDB para censurar internet e quebrar sigilo de internautas.

No início de outubro, em um Congresso Nacional esvaziado enquanto o Brasil discutia as eleições, o Projeto de Lei (PL) 84/99 do senador Eduardo Azeredo, do PSDB, foi aprovado em duas comissões na Câmara.
Também conhecido como “AI-5 digital”, uma referência ao Ato Institucional nº 5 que o regime militar baixou em 1968 para fechar o parlamento e acabar com a liberdade de expressão, o PL permite violar os direitos civis, transfere para a sociedade a responsabilidade sobre a segurança na internet que deveria ser das empresas e ataca a inclusão digital.

O projeto de Azeredo passa também a tratar como crime sujeito a prisão de até três anos a transferência ou fornecimento não autorizado de dado ou informação. Isso pode incluir desde baixar músicas até a mera citação de trechos de uma matéria em um blog.

Clique aqui para ler o texto do site da CUT na íntegra.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

É preciso estar atento e forte. Sempre

Em post publicado aqui no auge das tensões eleitorais, a leitora e amiga Mayra comentou com uma frase que ficará registrada: “o povo das sombras saiu das sombras e mostrou que existe”.

Essa constatação foi como que materializada pelo caso (como se já não existissem tantos) da estudante de Direito Mayara Petruso, que, como se sabe, escreveu em seu twitter, após a vitória de Dilma Rousseff: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado”, pelo que será processada em ação da OAB seccional Pernambuco pelos crimes de racismo e incitação pública a prática de crime*.

Tal “pregação” de uma jovem estudante, supondo-se que se preparando para exercer a carreira de advogada, é proferida pelo mesmo tipo de gente que xinga uma mulher de “vagabunda” por ela fazer pacificamente campanha para sua candidata nas ruas (leia aqui). O ódio, e os exemplos são muitos, estava em toda a parte na campanha e não foi plantado pela candidatura petista.

Fiquei chocado com a postura da coordenadora da campanha serrista Soninha Francine em um debate com o prefeito de Osasco Emidio de Souza na TV Terra no momento em que a vitória de Dilma ficava óbvia. Agressiva, fora de si com a derrota, sem o menor respeito para com o prefeito a seu lado (homem educado e cordial, que conheço), demonstrando a índole da campanha pela qual trabalhou, ela vociferava, negava a baixaria da campanha tucana e nem mesmo admitiu que fosse baixaria um vídeo que mostrava um Brasil que seria destruído com a eleição de Dilma, o qual muitos viram.

Segundo a ex-petista e agora fanática tucana, tal vídeo não era uma baixaria, mas “humor de mau gosto”. Curioso, porque, para o ministro Joelson Dias, do TSE, que obviamente não usa o termo “baixaria”, o vídeo é muito mais do que isso. Ele suspendeu a exibição da produção (apócrifa, ao estilo tucano) no dia 29, determinando a retirada de tal peça do ar, por se valer do anonimato (violando o artigo 5°, inciso IV, da Constituição, que diz: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato"), além de conter “teor ofensivo e inverídico” e “comprometer o aprimoramento do Estado Democrático de Direito”. Só isso.

Assim como a descontrolada coordenadora de sua campanha na internet, José Serra despediu-se, como muitos viram, dizendo que sua “mensagem de despedida nesse momento não é de adeus, mas com um até logo”. E, com a ameaça velada que toda a sua campanha sórdida transpirou (assim considerada até mesmo por declarados eleitores do PSDB inconformados, como o jornalista Paulo Nogueira: leia aqui), completou: “Para os que nos imaginam derrotados, devo dizer que estamos apenas começando. A luta continua”.

Mas queiram os tucanos ou não, o duro e sofrido processo eleitoral de 2010 finalmente chegou ao fim tendo deixado uma lição: a de que a luta realmente continua, senhor José Serra.

Do lado de cá, é preciso estar atento e forte sempre (como aliás já comentaram os companheiros deste blog), pois a truculência, a ignorância, o racismo e o ódio a um povo soberano e feliz estão aí, para todo mundo ver. Por isso, é motivo para se comemorar, sim, a derrota de Serra e sua gente.

Em tempo: um dos motivos da derrota parlamentar de Barack Obama nos EUA na terça-feira foi justamente ter-se acomodado na espetacular vitória de 2008 e baixado a guarda. Não podemos incorrer no mesmo erro fatal.

*Atualizado às 17h29

Assista a trecho do debate entre Soninha Francine e o prefeito de Osasco, Emidio de Souza


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dilma Rousseff presidente do Brasil: notas pós-eleição e ressaca

Algumas pressões, em parte até cômicas, já viraram pautas da imprensa para a era Dilma Rousseff. No programa “Entre aspas”, da Globonews, nesta terça, vimos amostras delas. Exemplo: Dilma vai prestigiar as mulheres na formação do governo? Dilma é uma mulher sozinha? (ou seja, não casada? – sic). Como a população reagiria a eventuais casos amorosos de Dilma?

Foto: Ricardo Stuckert

Essas e outras perguntas eram dirigidas por Mônica Waldvogel, a sábia, à senadora eleita por São Paulo Marta Suplicy (PT) e à socióloga Fátima Pacheco Jordão. Ante a futilidade com que a pauta era conduzida (uma pauta para a revista Marie Claire, digamos), as entrevistadas conseguiram, dado o nível de ambas, elevar um pouco a qualidade da discussão.

Particularmente, as especulações sobre a vida privada das pessoas públicas me remetem a Oscar Wilde, que disse no ensaio A Alma do Homem sob o Socialismo que a vida privada das personalidades públicas não deveria ser objeto de interesse (cabe observar: o socialismo de Oscar Wilde no livro citado é utópico, próprio da alma dandy do escritor e poeta irlandês, e em nada embasado em instrumentos marxistas do pensamento. Marx nasceu em 1818 e Wilde, em 1854).

Acho que Dilma naturalmente vai procurar, na medida do possível, compor o ministério também com as mulheres que julgar competentes. Mas, para mim, deveria se esquivar dessa pressão tola (vinda da oposição, em forma de cobranças cínicas, ou dos movimentos sociais, em forma de pressão politicamente correta).

A eleição de Dilma Rousseff, uma mulher, ex-guerrilheira, para suceder um metalúrgico na presidência do Brasil por um partido cuja bandeira é vermelha, é algo em si extraordinário. Não vai apenas provocar uma nova abordagem da política, mas já é ela mesma, a eleição, algo revelador de uma imensa transformação na sociedade brasileira, que não é súbita e nem somente brasileira. As mulheres estão cada vez mais presentes no comando.

Dialeticamente, sendo ao mesmo tempo conseqüência dessa evolução, da maturidade do povo brasileiro, e o sinal de um futuro que continuará sendo transformador, é uma semente de novas transformações que virão naturalmente. Por exemplo, é natural que cresça a auto-estima de milhões de mulheres ainda submissas e vítimas do violento preconceito nos rincões desse enorme país.

Fora isso, quero dizer que as futricas políticas e politiqueiras que grassam nas colunas políticas da chamada grande imprensa não me atraem nesse momento.

OEA

A eleição de Dilma foi fundamental para as Américas (que o digam Evo Morales e Hugo Chávez). Foram precisas as palavras do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, ao dizer, em carta enviada à nossa presidente eleita, que sua eleição constitui “um ato de justiça” e “marcará uma nova era de prosperidade para os brasileiros que lhe permitirá aprofundar o legado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

Entrevista

A primeira entrevista de Dilma à mídia, significativamente, foi para a TV Record, a duas jornalistas: Ana Paula Padrão e Adriana Araújo. Na entrevista, por volta dos 9min e meio, Dilma respondeu a uma pergunta interessante de Adriana: se se sentiu perseguida pela mídia durante a campanha.

Assista à primeira entrevista de Dilma Rousseff como presidente: